Uma comitiva da resistência da Aldeia Maracanã* esteve com David Harvey, um dos mais renomados geógrafos marxistas( não-ortodoxos) do planeta, no último dia 22 de novembro, em evento no XIII Simpósio de Geografia Urbana na UERJ de lançamento de seu mais novo livro: "Os Limites do Capital". Harvey, além da foto, firmou seu compromisso com as lutas anti-capitalistas no Brasil, conforme nos disse Kaxalpynia Runayke Yagua, o Cacique do povo Korubo (etnia que vive isolada no Vale do Javary, na fronteira entre o Brasil, Colômbia e Peru) e uma das principais lideranças da Aldeia:
"Falamos com ele sobre a resistência anti-capitalista da Aldeia, e da Campanha Internacional contra as remoções, perseguições, detenções e prisões arbitrárias, pela anistia irrestrita dos detidos e presos políticos, que estamos realizando junto com a Frente Independente Popular. Harvey declarou seu apoio a nossa luta! Ayaya!"
"Também tratamos do Manifesto contra o retrocesso social antindígena e fascista, contra a Constituição de 88, representado pelo avanço do capitalismo transnacional e pelas privatizações no Brasil, pela demarcação da Aldeia como reserva indígena e pela constituição da Universidade-Aldeia Intercultural da Luta Indígena e Popular Maraká'ànà, fortemente ameaçado pelos projetos mercantis do governos Cabral, Paes e Dilma e da Copa da FIFA e por suas corparações patrocinadoras como Itaú, Ambev, Odebrecht, etc.", reafirmou a manaura Mônica Lima.
*A Aldeia Maracanã fica ao lado do Estádio do Maracanã, a principal sede da Copa e das Olimpíadas na cidade do Rio de Janeiro, ameaçada de despejo para a realização destes megaeventos esportivos. O Estádio foi privatizado e o consórcio que o administra pressiona o governo do estado pela expropriação deste território indígena. Este consórcio é formado pelas empresas Odebrecht, AEG (empresa norte-americana de administração de estádios de grandes eventos) e pela IMX, de Eyke Batista.
Foto: Paulo Apurinã
Texto: Fernando Soares

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